Homologar um fornecedor de fixação de segurança não se resolve com catálogo. Resolve-se com quatro respostas objetivas: qual norma o produto atende, que ensaio comprova o desempenho, qual laboratório fez esse ensaio e que tratamento de superfície a peça recebe. Esta página reúne as quatro no mesmo lugar e aponta, para cada uma, onde conferir o detalhe.

A Lanfranco AMSUD Brasil é a representação exclusiva no Brasil da J. Lanfranco & Cie, fabricante francês fundado em 1974. As normas, as homologações ferroviárias e o laudo de ensaio citados aqui pertencem ao produto desenvolvido pela matriz francesa; a AMSUD fornece esse produto no Brasil, e a documentação de cada referência se solicita à engenharia.
Prova técnica não é um documento só. São camadas diferentes, que respondem a perguntas diferentes, e um dossiê bem montado separa uma da outra. É comum receber um certificado de rosca e achar que se recebeu uma comprovação de travamento sob vibração — são coisas distintas.
| Camada | A que pergunta ela responde | Onde ela está |
|---|---|---|
| Norma de desempenho | A peça atende aos requisitos mecânicos da classe declarada? | Seção “As normas de desempenho e de rosca”, abaixo |
| Norma de rosca | A rosca é intercambiável com o parafuso do projeto? | Mesma seção |
| Ensaio independente | O travamento resiste a vibração transversal, e quem fez a medição? | Ensaio Junker no CETIM |
| Homologação ferroviária | O produto é aceito no caderno de encargos de material rodante? | Normas SNCF de fixação |
| Tratamento de superfície | A peça sobrevive à atmosfera do ativo e sai na desmontagem? | Seção “Tratamentos de superfície”, abaixo |
| Sistema de gestão | Existe um sistema da qualidade por trás da produção? | Sem página dedicada neste site — a certificação ISO 9001 é declarada para a linha |
O princípio de travamento amarra as camadas. A tecnologia HFR, desenvolvida pela J. Lanfranco & Cie, trava por deformação elástica controlada do próprio aço: fendas usinadas na coroa da porca fazem o material se deformar elasticamente no aperto, gerando o torque prevalente que segura a junta. Por ser elástico, o travamento não se consome na primeira montagem — daí a reutilização de cinco vezes ou mais declarada para a linha, reunida na página de porcas autotravantes.
A especificação começa pelo material e pela classe, porque é o par material + classe que define a faixa de temperatura de trabalho e o conjunto normativo aplicável.
| Material | Classes | Faixa de trabalho | Norma de desempenho |
|---|---|---|---|
| Aço carbono | QV (8) · QK (10) · QL (12) | −50 °C a +300 °C | NF EN ISO 2320 / ISO 898-2 |
| Aço inoxidável | A2-70 (ZE) · A4-70 (ZK) · A4-80 (ZH) | −200 °C a +400 °C | NF EN ISO 3506-2 / ISO 2320 |
As faixas acima valem para o grupo de material, não para cada classe isoladamente. A escolha da classe é de resistência mecânica; a do material é de ambiente, e o inox é a linha indicada para atmosfera corrosiva.
Na rosca, a linha cobre ISO 965-2 na métrica e UNC/UNF conforme ANSI B1.1, além do padrão BS. Checagem barata que evita retrabalho caro: rosca certa na norma errada não monta em campo.
Fora do aço carbono e do inox, há latão, bronze e titânio sob consulta, assim como outros diâmetros e tipos de arruela — nenhum é item de prateleira.
Vale registrar com clareza, porque a confusão é frequente em dossiê técnico: a NF E 25035 é a norma do tratamento anti-engripante Stanal® 400. Ela descreve um tratamento de superfície. Não é norma de desempenho mecânico de porca em aço inoxidável — esse papel é da NF EN ISO 3506-2 em conjunto com a ISO 2320, como está na tabela acima.
A distinção importa na prática: quem exige a NF E 25035 achando que exige classe de resistência acaba especificando um revestimento, e quem a dispensa por achá-la redundante pode ficar sem o tratamento que evita o engripamento na desmontagem.
O Ensaio Junker é o teste de referência para travamento sob vibração transversal. O conjunto parafuso-porca é apertado com torque definido e submetido a ciclos de deslocamento transversal; a cada ciclo mede-se a tensão residual no parafuso. O resultado não é uma nota, é uma curva de perda de tensão ao longo dos ciclos — e quanto mais plana a curva, mais eficaz o fixador.
O ensaio da porca ESL foi realizado no CETIM — Centre Technique des Industries Mécaniques —, em Saint-Cyr-l’École, França. O CETIM é o laboratório que fez o ensaio, não cliente da Lanfranco.
Duas variantes costumam ser citadas com o mesmo nome e não são a mesma coisa: o padrão DIN 65151 aplica deslocamento transversal senoidal, enquanto a variante Junker-Goddard acrescenta componente axial. A ESL foi testada na versão DIN 65151, e é essa a versão que deve constar do dossiê.
O que o laudo sustenta, sem arredondamento de marketing: a ESL mantém torque prevalente elevado após centenas de ciclos de vibração transversal. Percentual de retenção, valor de tensão residual e contagem exata de ciclos pertencem ao laudo — e o laudo se solicita. O método está detalhado na página do Ensaio Junker.

A SNCF ST 001-002 é a especificação técnica da Société Nationale des Chemins de Fer Français para fixadores em material rodante. Ela não avalia um item isolado: define conformidade geométrica, classe de resistência, acabamento superficial e desempenho no Ensaio Junker. É por isso que ensaio e homologação aparecem juntos num dossiê bem montado — a homologação incorpora o ensaio.
| Especificação | O que regula | Produto homologado |
|---|---|---|
| SNCF FPn6 | Porcas sextavadas fendadas autotravantes de uso geral | ESL |
| SNCF FPn15 | Porcas autotravantes com flange e arruela livre | ERM |
Duas leituras precisam ficar explícitas. A primeira: a especificação não é lei brasileira — ela é exigida em manuais de manutenção e cadernos de encargos de projetos com material rodante europeu, e nesses projetos substituir um item homologado por outro sem homologação equivalente pode invalidar a garantia do fabricante e gerar passivo técnico. A segunda: a homologação é do produto da J. Lanfranco & Cie, e a Lanfranco AMSUD Brasil é o único fornecedor no Brasil com esta homologação. Veja o contexto de aplicação em setor ferroviário e o texto normativo em normas SNCF de fixação.
Precisa da documentação para um processo de homologação? Envie a referência da peça e o caderno de encargos do projeto: a engenharia responde com o que existe para aquela referência específica. Falar com a engenharia.
Travamento e resistência mecânica resolvem a junta em serviço. O tratamento de superfície resolve o que aparece depois: a corrosão ao longo da campanha e o engripamento na desmontagem — o galling, que transforma uma remoção de rotina em corte de fixador. Numa linha reaplicável cinco vezes ou mais, o segundo é decisivo: porca que não sai não se reutiliza.
| Tratamento | Código | Norma | Para quê |
|---|---|---|---|
| Stanal® 400 | ST | NF E 25035 | Anti-engripante — é o tratamento contra galling |
| Passivação | PA | — | Resistência à corrosão em inox |
| Sherardização | SH | NF EN 13811 | Revestimento de zinco por difusão térmica |
| Sem revestimento | BT | — | — |
O Stanal® 400 é aplicável à linha em aço inoxidável — A2-70 (ZE), A4-70 (ZK) e A4-80 (ZH) —, a mesma linha descrita para faixa de −200 °C a +400 °C e destinada a atmosfera corrosiva. É a combinação clássica do ativo que fica exposto e ainda assim precisa ser desmontado com ferramenta padrão.
Aqui preferimos dizer menos do que poderíamos: o catálogo do fabricante declara o nome, o código e a norma do tratamento. Composição, espessura, coeficiente de atrito e percentual de redução de engripamento não estão declarados, e por isso não aparecem aqui. Quem precisa desses dados para cálculo de projeto deve pedi-los à engenharia.
O tratamento não é um pedido à parte: ele é um campo da própria referência. A nomenclatura do catálogo monta a peça inteira numa linha só. Exemplo:
ESL 100150 ZH ST 00
O código do tratamento é o penúltimo campo, e vale conferi-lo na ordem de compra: sem ele, a referência não diz qual tratamento a peça recebe — e é o tratamento que decide se ela sai inteira na desmontagem.

Norma e ensaio dizem como a peça se comporta em condição controlada. O que ela faz em ativo real está documentado em três estudos publicados pela matriz francesa.
Uma ponte ferroviária de 450 m sobre um rio sul-americano. A estrutura colapsou durante a passagem de um trem de carga de 700 m. A investigação mostrou que os conjuntos não afrouxaram nem se separaram: perderam carga de aperto, e a perda passou despercebida nas inspeções de rotina, até os furos ovalizarem e o parafuso cisalhar. O mecanismo da falha não foi afrouxamento visível — foi desempenho não verificável. Na reconstrução, após um ano de avaliação de engenharia, foram aplicadas mais de 180.000 porcas ESL nas bitolas 7/8", 1" e 1-1/8", com parafusos ASTM A325 e arruelas ASTM F436; hoje os inspetores conseguem confirmar retenção de torque e reaplicá-lo quando necessário. (estudo completo)
Um cruzamento em diamante duplo de uma ferrovia Classe I no meio-oeste americano. As equipes conviviam com cerca de 60 parafusos soltos ou quebrados por semana e 3.000 conjuntos de reposição por ano. A causa-raiz eram porcas de torque prevalente por rosca deformada: torque irregular, algumas sem travar, outras engripando na instalação e obrigando a cortar o fixador com maçarico. A troca por 70 porcas THU 1.3/8"-6 UNC Gr. 8, reaproveitando os parafusos existentes, eliminou as trocas semanais e economizou quase US$ 50 mil em seis meses. (estudo completo)
Os moinhos de bolas de um grande produtor europeu de cimento. Ativos sob vibração sustentada e temperatura extrema, avaliados com ESL em M30 × 2,50 de passo fino ao longo de uma campanha de produção inteira. Nenhum parafuso afrouxou e não houve parada por falha de fixador; hoje a ESL é usada em M30, M33 e M36 de passo fino em várias fábricas do grupo. (estudo completo)
Cada camada tem uma página própria, com o nível de detalhe que um dossiê exige:
Esta é a lista mínima, e ela vale para qualquer fornecedor de fixação de segurança, não só para nós:
O que não deve entrar no dossiê é tão importante quanto: número sem fonte declarada, percentual de desempenho sem laudo atrás e norma citada fora da função dela.
Um fixador de segurança se especifica por camadas: material e classe definem o ambiente, a norma de desempenho define o requisito mecânico, a norma de rosca garante a montagem, o ensaio independente comprova o travamento sob vibração, a homologação traduz tudo isso para o caderno de encargos e o tratamento de superfície decide se a peça sai inteira na desmontagem. Nenhuma camada substitui a outra.
Faltou alguma delas para uma referência específica? O caminho mais curto é mandar a referência e o requisito do projeto para a engenharia.
⚠️ Sobre a vigência. Os tratamentos de superfície e a nomenclatura do código de pedido descritos nesta página vêm do catálogo do fabricante datado de janeiro de 2013. O tratamento aplicável a cada referência e o código correspondente se confirmam na consulta técnica.
Em aço carbono, nas classes QV (8), QK (10) e QL (12), a linha atende NF EN ISO 2320 / ISO 898-2. Em aço inoxidável, nas classes A2-70 (ZE), A4-70 (ZK) e A4-80 (ZH), atende NF EN ISO 3506-2 / ISO 2320. A rosca segue ISO 965-2 na métrica e UNC/UNF conforme ANSI B1.1, além do padrão BS.
O Ensaio Junker aperta o conjunto parafuso-porca com torque definido e o submete a ciclos de deslocamento transversal, medindo a tensão residual no parafuso a cada ciclo. O resultado é uma curva de perda de tensão ao longo dos ciclos. O ensaio da porca ESL foi feito no CETIM — Centre Technique des Industries Mécaniques —, em Saint-Cyr-l'École, França, na versão DIN 65151, que usa deslocamento transversal senoidal.
A SNCF ST 001-002 não é lei brasileira. Ela é exigida nos manuais de manutenção e cadernos de encargos de projetos com material rodante europeu, e nesses projetos substituir um item homologado por outro sem homologação equivalente pode invalidar a garantia do fabricante e gerar passivo técnico. A homologação é do produto desenvolvido pela J. Lanfranco & Cie; a Lanfranco AMSUD Brasil é o único fornecedor no Brasil com esta homologação.
É o tratamento anti-engripante da linha, identificado pelo código ST e regido pela norma NF E 25035. Ele age contra o galling, o engripamento que dificulta a desmontagem. É aplicável à linha em aço inoxidável, nas classes A2-70 (ZE), A4-70 (ZK) e A4-80 (ZH). A NF E 25035 é a norma desse tratamento e não uma norma de desempenho mecânico do inox.
A linha em aço carbono trabalha de −50 °C a +300 °C. A linha em aço inoxidável trabalha de −200 °C a +400 °C e é a indicada para atmosfera corrosiva. As faixas se aplicam ao grupo de material, e a definição final para uma referência específica deve ser confirmada com a engenharia.
Sim. O travamento vem da deformação elástica controlada do próprio aço, gerada pelas fendas usinadas na coroa da porca, e não se consome na montagem. A linha é declarada reutilizável cinco vezes ou mais. Na prática, a reutilização depende também de a peça sair na desmontagem, e é aí que o tratamento anti-engripante Stanal® 400 faz diferença.
Monte o dossiê: solicite a documentação da referência exata. Envie a referência, a bitola e o requisito normativo do seu projeto. Falar com a engenharia da Lanfranco AMSUD Brasil.