Quando a aplicação não fecha com nenhum item das linhas de catálogo, a conversa não termina: ela muda de lugar. O catálogo de porcas da J. Lanfranco & Cie, datado de janeiro de 2013, dedica duas páginas inteiras a uma seção chamada Produtos Especiais, com 18 itens fotografados e uma rubrica que fecha as duas: “Sob pedido: outros materiais, revestimentos, bitolas, roscas.”

Repare no que essa frase entrega e no que ela não entrega. Ela entrega os quatro eixos em que a peça pode ser diferente do padrão. Ela não entrega ficha: para nenhum dos 18 itens o catálogo declara dimensão, bitola, passo, material, revestimento ou norma. Você vê o nome, vê a foto, e é aí que a informação impressa acaba.
Esta página mostra os 18 itens, um a um, com o que o nome e a foto de fato mostram e o que eles não mostram; explica o que “sob pedido” significa nessa linha; aponta os dois itens que se conectam às fixações modulares; descreve o princípio de travamento de que a linha parte; e entrega o roteiro do que informar para receber uma resposta técnica. Se você é engenheiro de projeto com um requisito fora do padrão, o que você procura aqui não é uma ficha técnica. É um interlocutor.
As duas tabelas abaixo seguem a divisão do próprio catálogo: a primeira página reúne dez porcas especiais, a segunda reúne oito pinos, parafusos e porcas de função. Os nomes estão reproduzidos exatamente como o catálogo os escreve.
A segunda coluna descreve o que o nome afirma e o que a fotografia mostra — geometria aparente, que é observável. Ela não atribui aplicação, setor nem uso a nenhum item, porque nada disso está na fonte. Onde o catálogo cala, esta página cala junto.
| Nome exato no catálogo | O que o nome e a foto mostram |
|---|---|
| 1. Porca cilíndrica autotravante fendada | Corpo cilíndrico liso, sem faces de chave, assentado sobre um flange circular integrado à base. Uma fenda horizontal atravessa a parede do cilindro. |
| 2. Porca cônica autotravante por deformação na chave hexagonal | Corpo sextavado que afunila na direção do topo, com rebaixos usinados nas faces de chave. É neles que o próprio nome localiza a deformação. |
| 3. Porca com topo cilíndrico autotravante com uma fenda | Base sextavada encimada por um topo cilíndrico liso, atravessado por uma única fenda horizontal. |
| 4. Porca cilíndrica com canal (fenda) | Corpo cilíndrico liso, sem faces de chave, com um canal aberto no topo. O nome não traz o qualificador “autotravante”. |
| 5. Porca autotravante fendada para corrediças | Corpo cilíndrico roscado e fendado assentado sobre uma base quadrada plana — o formato que corre dentro de um perfil-trilho. |
| 6. Porca calota autotravante por deformação axial | Base sextavada com topo abaulado e fechado, em forma de calota. |
| 7. Porca quadrada autotravante | Corpo quadrado e baixo, com furo roscado central e deformação visível junto ao topo. |
| 8. Porca calota autotravante com inserto de nylon | Base sextavada, topo abaulado fechado e um colar visível entre os dois, que é onde fica o inserto. |
| 9. Porca rebitável com inserto de nylon | Corpo sextavado sobre uma manga cilíndrica serrilhada na base — a parte que é rebitada. |
| 10. Porca calota com arruela cônica | Porca calota assentada sobre uma arruela cônica serrilhada, de diâmetro bem maior que o da porca. |
| Nome exato no catálogo | O que o nome e a foto mostram |
|---|---|
| 11. Pino roscado autotravante com fenda | Corpo sextavado com rosca fêmea e fenda no topo, prolongado por uma haste roscada macho na base. Macho de um lado, fêmea do outro. |
| 12. Parafuso prisioneiro | Haste roscada longa, cabeça cilíndrica de diâmetro pequeno e ponta afunilada. |
| 13. Parafusos macho/fêmea | Um par. As duas peças têm cabeça abaulada com rasgo de acionamento; uma traz haste roscada macho, a outra um corpo oco de rosca fêmea, e elas se atarraxam uma na outra. |
| 14. Inserto multidirecional com porca autotravante fendada | Conjunto montado: uma porca autotravante fendada retida numa gaiola de chapa que corre dentro de um perfil-trilho, sobre chapas perfuradas. |
| 15. Parafuso cabeça estriada 12 pontos flangeado com arruela especial | Cabeça estriada de doze pontos sobre flange, com uma arruela de diâmetro maior e janelas laterais no colar, e haste roscada. |
| 16. Porca estriada 12 pontos flangeada autotravante | Coroa estriada de doze pontos sobre flange, com uma aba de chapa recortada saindo lateralmente. |
| 17. Porca especial para conexão elétrica | Porca sextavada flangeada, com uma aba lateral integrada que termina em terminal fendido. |
| 18. Porca anti-furto | Corpo cônico, sem nenhuma face de chave — só a superfície do cone e o furo roscado central. |
Para os 18, sem exceção, o catálogo não declara dimensão, bitola, passo, material, revestimento nem norma. Ele mostra a peça, dá o nome e remete ao pedido. Qualquer página, catálogo ou resposta que atribua uma medida ou uma classe de material a um destes itens está afirmando algo que a fonte não sustenta.
Reconheceu a sua peça em algum dos 18? Descreva a aplicação e o requisito que o catálogo padrão não atende. A Lanfranco AMSUD Brasil é o canal dessa consulta no Brasil. Abrir uma consulta técnica.
Um item de linha existe antes do seu projeto. Ele tem código, faixa de bitolas, material e uma ficha que você consulta para decidir se serve. A lógica de um item sob pedido é a inversa: a especificação não antecede a aplicação, ela é produzida a partir dela. Por isso as duas páginas não trazem ficha — não haveria o que colocar nela antes de saber o que a junta exige.
O que o catálogo faz, em vez disso, é declarar os eixos de variação. A frase é curta e vale a pena ler devagar:
“Sob pedido: outros materiais, revestimentos, bitolas, roscas.”
São quatro variáveis nomeadas: o material da peça, o revestimento aplicado a ela, a bitola e a rosca. É por aí que a conversa começa, e é por isso que uma consulta que chega só com o nome do item quase sempre volta como pergunta: sem esses quatro, não há peça definida.
Cada linha de catálogo carrega as suas próprias faixas de bitola, as suas classes de material, os seus tratamentos de superfície e, quando é o caso, as homologações e os ensaios que lhe foram declarados. Nada disso se estende por analogia a um item sob pedido. Um especial não herda a ficha de um vizinho de catálogo por parecer com ele. O que se aplica a uma peça específica é definido na consulta, item por item.
Essa distinção não é preciosismo. Em projeto crítico, a especificação que sustenta a peça é a que está no documento do fornecimento — não a que estava na página de um produto parecido.
A seção de Produtos Especiais é a mais explícita, mas não é o único ponto em que o catálogo abre a porta. Em materiais, o fabricante declara latão, bronze e titânio disponíveis sob consulta, e o mesmo vale para outros diâmetros e outros tipos de arruela. Nas fixações modulares, o campo “range de aplicação” das duas páginas traz “consulte-nos” em vez de um valor, e o rodapé completa: “Para aplicações especiais, diferente das configurações oferecidas, favor nos contactar.”
Somados, esses pontos apontam para a mesma coisa: há uma parte relevante da oferta que não está impressa, e que só passa a existir depois que alguém descreve a aplicação.

Dois dos 18 itens não são peças soltas: eles pertencem ao mesmo sistema das fixações modulares. É o ponto em que as duas linhas se tocam, e vale explicitar.
Uma corrediça é um perfil-trilho que carrega porcas e parafusos no seu interior, presos na posição por um retentor axial. O comprimento vai de 25 mm a 6 metros, e quem define a quantidade de peças dentro do trilho, o posicionamento de cada uma, a equidistância entre elas, as bitolas e a geometria do perfil — reto, dobrado ou curvo — é o cliente.
O item 5 desta página, a porca autotravante fendada para corrediças, é a peça de base quadrada que corre nesse trilho. O item 14, o inserto multidirecional com porca autotravante fendada, é o conjunto já montado: a porca retida na gaiola, a gaiola dentro do perfil. Quem chega aqui procurando uma fixação que se posiciona ao longo de um trilho está, na prática, olhando as duas páginas ao mesmo tempo.
Vale a mesma regra dos outros dezesseis: o catálogo mostra a peça e não declara medida nem material. A diferença é que, aqui, o contexto de uso está desenhado na própria foto.
Um item especial não nasce do zero. Ele nasce de um princípio de travamento que já existe, e que é o que define a linha inteira do fabricante. Esse princípio se chama HFR e foi desenvolvido pela J. Lanfranco & Cie.
O HFR não é um componente acrescentado à peça: é geometria. Fendas usinadas na coroa fazem o material se deformar elasticamente no momento do aperto, e essa deformação elástica controlada do próprio aço gera torque prevalente — uma resistência ao giro que não depende de atrito entre porcas. Como o travamento está na forma e no material da própria peça, ele não é consumido no uso: nas porcas autotravantes de linha, isso se traduz em reutilização, que o folder da Lanfranco AMSUD Brasil descreve como cinco vezes ou mais.
Para um item sob pedido, esse é o repertório disponível, não uma promessa já feita. O que se confirma na consulta é se o princípio se aplica àquela geometria, naquela junta, com aquele requisito.
Vale reparar no vocabulário da lista. Dez dos 18 nomes trazem a palavra autotravante. Seis trazem fenda, fendada ou canal (fenda) — que é o elemento geométrico do HFR, e que aparece nas fotos como o rasgo horizontal na parede da peça. E dois trazem inserto de nylon — e um deles, o item 8, traz também a palavra autotravante no mesmo nome.
É até onde a fonte permite ir. O catálogo não afirma o princípio de travamento de cada um dos 18 itens, e por isso esta página também não afirma. O que a nomenclatura mostra é que a maior parte da lista fala a mesma língua da linha de catálogo — e que essas palavras não se excluem: um mesmo item pode trazer duas delas no nome, como o item 8.

Num pedido especial, saber quem faz o quê deixa de ser detalhe institucional e passa a ser informação de projeto. Então, sem rodeio: a Lanfranco AMSUD Brasil não fabrica. Ela é a representação exclusiva no Brasil da J. Lanfranco & Cie, fabricante francês fundado em 1974, e atua no país desde 2008. O produto é do fabricante; a interlocução técnica, a consulta e o fornecimento no Brasil são da AMSUD.
Para quem está do lado do projeto, isso muda duas coisas. A primeira é que a viabilidade de um item especial se resolve com o fabricante, e a AMSUD é o caminho direto até ele. A segunda é que o que for acordado precisa estar no documento de fornecimento, não numa página de produto — inclusive porque, sendo sob pedido, não existe página de produto para aquele item.
A Lanfranco AMSUD Brasil atende ferrovia, mineração, energia, agronegócio e construção pesada. Conheça a Lanfranco AMSUD Brasil.
Tem um requisito que o catálogo padrão não atende? A consulta técnica começa por uma descrição da junta, não por um número de peça. Falar com a engenharia da Lanfranco.
Um item sob pedido não tem código de catálogo, mas nasce da mesma gramática dos que têm. Vale olhar como o fabricante identifica uma peça de linha: o catálogo dá como exemplo o código ESL 100150 ZH ST 00, que se lê como porca da família ESL, rosca M10 × 1,50, inox A4-80, com tratamento Stanal® 400, tamanho padrão.
Esse código descreve uma porca de linha, não um produto especial. Ele está aqui pelo que ensina, e não pelo que promete: repare que os campos dele são quase os mesmos quatro eixos que a rubrica “Sob pedido” nomeia — material, revestimento, bitola e rosca. Um item especial começa por esses eixos e acrescenta os que o projeto impuser.
Quanto mais destas linhas você trouxer preenchidas, mais curta fica a ida e volta. Nenhuma delas é obrigatória para abrir a conversa; todas encurtam o caminho até uma resposta técnica.
| Eixo | O que informar |
|---|---|
| O item de partida | Qual dos 18 itens mais se aproxima do que o projeto pede, e em que ele precisa ser diferente. |
| Material | O material que o projeto ou o ambiente impõe, e a razão da exigência. É o primeiro eixo da rubrica. |
| Revestimento | Se há exigência de acabamento, de proteção contra corrosão ou de comportamento anti-engripante. |
| Bitola e rosca | Diâmetro nominal, passo e a norma de rosca em que o projeto está desenhado. |
| Interface e espaço | Espaço disponível para a chave, altura livre, tipo de acionamento e se o conjunto prevê flange ou arruela. |
| Ambiente de operação | Temperatura de trabalho, agente corrosivo presente e tipo de solicitação: vibração, ciclagem térmica, choque. |
| Requisito normativo | A norma, o caderno de encargos ou a especificação de cliente que a peça precisa atender. |
| Quantidade e horizonte | Volume estimado e se é projeto novo, reposição ou retrofit de um conjunto já instalado. |
| Desenho ou amostra | Desenho de conjunto, desenho da peça atual ou a peça física, quando existir. |
Se faltar quase tudo dessa lista e sobrar só o problema — uma junta que afrouxa, um espaço que não comporta a chave, um ambiente que corrói o que está lá —, isso também serve. É a partir do problema que o roteiro se preenche.
Esta página poderia ter 18 cards de produto com dimensões plausíveis e um material sugerido para cada um. Seria mais bonito e seria falso, porque esses dados não existem na fonte. O que existe são 18 peças fotografadas, quatro eixos declarados abertos no pedido, um princípio de travamento bem definido e um canal por onde a aplicação entra.
Para quem tem um requisito fora do padrão, essa honestidade vale mais que uma ficha inventada. Não há peça de prateleira esperando o seu projeto. Há uma engenharia disposta a olhar a junta e dizer o que é viável — e é isso que uma consulta técnica resolve em uma conversa.
⚠️ Sobre a vigência. A lista dos 18 itens e a rubrica citada nesta página vêm do catálogo do fabricante datado de janeiro de 2013. Quais itens seguem disponíveis hoje se confirma na consulta técnica.
Lanfranco AMSUD Brasil
Rua Olaria, 1450 — Água Branca, São Francisco do Sul/SC, CEP 89240-000
Telefone: (47) 3449-5005 · E-mail: comercial@lanfranco.com.br
Atendimento de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00. Alcance nacional B2B, com atuação declarada também na América do Sul.
São 18 itens, em duas páginas do catálogo do fabricante. Dez são porcas especiais: porca cilíndrica autotravante fendada; porca cônica autotravante por deformação na chave hexagonal; porca com topo cilíndrico autotravante com uma fenda; porca cilíndrica com canal (fenda); porca autotravante fendada para corrediças; porca calota autotravante por deformação axial; porca quadrada autotravante; porca calota autotravante com inserto de nylon; porca rebitável com inserto de nylon; e porca calota com arruela cônica. Oito são pinos, parafusos e porcas de função: pino roscado autotravante com fenda; parafuso prisioneiro; parafusos macho/fêmea; inserto multidirecional com porca autotravante fendada; parafuso cabeça estriada 12 pontos flangeado com arruela especial; porca estriada 12 pontos flangeada autotravante; porca especial para conexão elétrica; e porca anti-furto.
Não. A Lanfranco AMSUD Brasil é a representação exclusiva no Brasil da J. Lanfranco & Cie, fabricante francês fundado em 1974, e atua no país desde 2008. O produto é do fabricante. A AMSUD é a representação que recebe a consulta técnica no Brasil e responde pelo fornecimento no país.
A rubrica que fecha as duas páginas do catálogo nomeia quatro eixos: outros materiais, outros revestimentos, outras bitolas e outras roscas. São essas as variáveis que o fabricante declara abertas no pedido, e é por elas que a consulta técnica começa.
Não. Para os 18 itens há o nome e a fotografia da peça, e nada além disso. O catálogo não declara dimensão, bitola, passo, material, revestimento nem norma para nenhum deles. A especificação é definida na consulta técnica, a partir da aplicação.
Não automaticamente. Cada linha de catálogo carrega as suas próprias faixas de bitola, classes de material, tratamentos e, quando é o caso, as homologações e os ensaios que lhe foram declarados. Nada disso se estende por analogia a um item sob pedido. O que se aplica a uma peça específica é definido na consulta, item por item.
Dois deles. A porca autotravante fendada para corrediças, que tem base quadrada e corre dentro do perfil-trilho, e o inserto multidirecional com porca autotravante fendada, que é o conjunto já montado, com a porca retida numa gaiola dentro do perfil. A corrediça é um trilho de 25 mm a 6 metros que carrega porcas e parafusos no interior, com quantidade, posicionamento, equidistância, bitolas e geometria definidos pelo cliente.
O catálogo não afirma o princípio de travamento de cada um dos 18 itens. O que ele mostra é o vocabulário: dez dos 18 nomes trazem a palavra autotravante, seis trazem fenda, fendada ou canal, que é o elemento geométrico da tecnologia HFR, e dois trazem inserto de nylon — e essas palavras não se excluem: o item 8 traz duas delas no mesmo nome. O princípio de travamento de cada item se confirma na consulta.
Comece pelos quatro eixos que a rubrica do catálogo nomeia: material, revestimento, bitola e rosca. Acrescente qual dos 18 itens é o ponto de partida e em que ele precisa ser diferente, a interface e o espaço disponível, o ambiente de operação com temperatura e tipo de solicitação, o requisito normativo aplicável, a quantidade estimada e um desenho ou amostra, se existir. Com o problema descrito, mesmo sem todos os eixos, a consulta já pode começar.
Descreva a sua aplicação e receba uma avaliação técnica de viabilidade. Traga o que tiver do roteiro: item de partida, material, revestimento, bitola e rosca, espaço, ambiente, requisito normativo, quantidade e desenho. A Lanfranco AMSUD Brasil é o canal técnico dessa consulta no Brasil. Abrir uma consulta técnica.